segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Caberei neste breve espaço de tempo?

 Afinal não existem castelos encantados em nuvens de algodão doce?
O céu não é cor-de-rosa e as flores não são deliciosos e coloridos biscoitos? O meu cavalo dourado não pode andar sobre um translúcido rio?
Não basta alimentar-me de poesia, tenho, também de comer seres vivos? Afinal... tenho de sentir dor e frio? Não basta cobrir com o meu cabelo o meu frágil corpo nu?
Diz-me que é mentira... os boatos que tenho ouvido por aí... que um determinado cavaleiro não voltará numa manhã de nevoeiro... que o velhinho de barbas brancas que carrega um saco de prendas ao ombro... não existe? Não quero ouvir... que as searas não são chocolate e que as colinas não são bombons... quero lá que me digas que as estrelas não falam e que o mar não canta. Não posso usar tranças? Nem tão pouco chapinhar nas poças de água? E se me apetecer sair à rua de pantufas? Poderei saltar para aquela tela que me encanta? Não?! E andar descalça na relva? E abraçar aquela árvore grande (como fazia quando vinha da escola)?
Posso não ter tempo de passar largas horas alimentando e observando o trabalho árduo das formiguinhas? Afinal não devo subir à figueira, nas tardes de Verão, e sentar-me num dos seus troncos a comer figos quentes pingados de mel?
Rogo para que me deixem saltar ao elástico durante longas tardes e de seguida lanchar, sentada na soleira da porta olhando o sol (alto) e o cume das árvores.
Nunca me tinham dito que...
Afinal tenho mesmo de crescer?!

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